quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Síndrome dos vinte e poucos anos


A chamam de 'crise do quarto de vida'. Você começa a se dar conta de que seu círculo de amigos é menor do que há alguns anos.Se dá conta de que é cada vez mais difícil vê-los e organizar horários por diferentes questões: trabalho, estudo, namorado(a) etc. E cada vez desfruta mais dessa cerveijinha que serve como desculpa para conversar um pouco. As multidões já não são 'tão divertidas'... E às vezes até lhe incomodam. E você estranha o bem-bom da escola, dos grupos, de socializar com as mesmas pessoas de forma constante. Mas começa a se dar conta de que enquanto alguns eram verdadeiros amigos, outros não eram tão especiais depois de tudo. Você começa a perceber que algumas pessoas são egoístas e que, talvez, esses amigos que você acreditava serem próximos não são exatamente as melhores pessoas que conheceu e que o pessoal com quem perdeu contato são os amigos mais importantes para você. Ri com mais vontade, mas chora com menos lágrimas e mais dor. Partem seu coração e você se pergunta como essa pessoa que amou tanto pôde lhe fazer tanto mal. Ou, talvez, a noite você se lembre e se pergunte por que não pode conhecer alguém o suficiente interessante para querer conhecê-lo melhor. Parece que todos que você conhece já estão namorando há anos e alguns começam a se casar. Talvez você também, realmente, ame alguém, mas, simplesmente, não tem certeza se está preparado (a) para se comprometer pelo resto da vida. Os rolês e encontros de uma noite começam a parecer baratos e ficar bêbado(a) e agir como um(a) idiota começa a parecer, realmente, estúpido. Sair três vezes por final de semana lhe deixa esgotada(o) e significa muito dinheiro para seu salário. Dia a dia, você trata de começar a se entender, sobre o que quer e o que não quer. Suas opiniões se tornam mais fortes. Vê o que os outros estão fazendo e se encontra julgando um pouco mais do que o normal, porque, de repente, você tem certos laços em sua vida e adiciona coisas a sua lista do que é aceitável e do que não é. Às vezes, você se sente genial e invencível, outras... Apenas com medo e confusa (o). De repente, você trata de se obstinar ao passado, mas se dá conta de que o passado se distancia mais e que não há outra opção a não ser continuar avançando. Você se preocupa com o futuro, empréstimos, dinheiro... E com construir uma vida para você. E enquanto ganhar a carreira seria grandioso, você não queria estar competindo nela. Todos nós que temos 'vinte e tantos' e gostaríamos de voltar aos 15-16 algumas vezes. Parece ser um lugar instável, um caminho de passagem, uma bagunça na cabeça... Mas TODOS dizem que é a melhor época de nossas vidas e não temos que deixar de aproveitá-la por causa dos nossos medos... Dizem que esses tempos são o cimento do nosso futuro. Parece que foi ontem que tínhamos 16... Então, amanha teremos 30?!?! Assim tão rápido?!?!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Mistérios palavriados

Jogue as palavras,
Engole as palavras,
Recupere as palavras,
"Não foi o que quis dizer"
Conserte as palavras,
Revire as palavras,
Recompõe em palavras,
"Não sei o que dizer"
Tremem as palavras,
Fraquejam as palavras,
Engasgam as palavras,
"É preciso dizer"
Sumiram as palavras
Cansaram as palavras
Para onde foram as palavras?
"O que elas querem dizer?"

Emudece - "Não se pode dizer."

Voltam as palavras
Refaz em palavras
Coloca em palavras
Deu voz as palavras.
Esquece aquelas palavras
Penetram profundo as palavras
Aumenta o som das suas palavras

"Pode dizer".

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Rendida ao táxi e ao taxista

Acho que não houve e nem haverá um dia em que fiquei mais tempo dentro de um táxi.
Em algumas corridas por escolha própria, em outras por obra de atrasos e importunos desse vai e vem.
O fato é que me lembrei de uma crônica de Clarice (na intimidade) sobre a solidariedade, não me recordo o nome exato, mas enquanto as coisas foram acontecendo fui resgatando seu enredo indo de encontro com o meu desfecho. Na minha segunda corrida de táxi de hoje, curiosamente fui indagada se gostava de literatura, pelo taxista. Respondendo que sim, ele questionou mais precisamente, se gostava de literatura - sem ser acadêmica, disse que gostava ainda mais. Já estava espantada e ansiosa para ouvir o motivo da pergunta. Foi quando o taxista me apresentou um livro que tratava justamente sobre sua vida profissional, da vida dentro de um táxi e suas histórias. Contando um pouco sobre a estrutura do livro, logo desconfiei que ele mesmo era o autor. Dei crédito, afinal, não é todo dia que vemos um empreendimento assim. Ao tentar me convencer sutilmente pela compra, contou-me adiantadamente algumas histórias narradas no livro e enfatizava que não eram fictícias e que ele tinha sido participante delas. Folheei o livro e comecei a achar aquilo fascinante, afinal, não tem muito tempo que imaginei justamente isso. Num instante oportuno, declarei-me psicóloga ao taxista que prontamente me falou de Freud e não pude esconder o sorriso (sei lá se sínico, mas ri), me contou até de um psicanalista que fala na rádio. Já estava decidida a comprar o livro, mas sabendo do preço desanimei, mesquinharia ou não, sabia que devia levar, e levei sem pestanejar muito. Algo dentro de mim estava estranho, eu dei crédito e ao mesmo tempo desmereci, duvidando da capacidade daquele sujeito de escrever um livro que realmente me tocasse. No final senti-me pressionada por mim mesma a comprá-lo. Nada me obrigava àquilo mas soava imposição. Imagine só se eu descartasse aquela obra como se descarta um panfleto entregue na rua? Para mim fazer isso seria inadmissível, aliás o taxista me convenceu, chegou me despertar interesse na leitura. Enfim, cansei de me condenar pelo sim e pelo não. Chegando e acomodando-me no ônibus da rodoviária para casa, engatei a leitura na velocidade da viagem. Então... Li! Em algumas frases lidas fiz careta, em outras aquela expressão de "óoó", li todo o livro. Esperava mais. Mas o que há de errado? É claro que não fui caridosa, nem tão pouco acreditei que leria um livro excepcional de literatura, mas no fim das contas admirei o cara. Com jeito de boa praça, fez o que tinha que fazer, relatou as histórias, escreveu um livro, publicou-o, possivelmente vende aos montes para os passageiros e no livro dá o seu recado e sobretudo ganha mais clientes para as corridas, sem demagogia, essa é a lógica. Mais interessante ainda é que introspectivamente analisei e reanalisei meus pensamentos e sei que parecia haver um movimento em mim que dizia não inveje, não critique e não condene, e cá estou eu  impacta com o vivido e rendida ao taxista, contando para vocês.      

sábado, 12 de novembro de 2011

Devaneios de uma vida sem respostas

Algumas pessoas carregam em si virtudes e limites que às vezes pesam como fardos. É  claro que para isso existem razões, obscuras e duras de se saber. Ou que não se pode, não se deve, não se quer saber. Começo analisar os comportamentos humanos (sobretudo o meu) e me intriga a cada dia mais a loucura cotidiana com as coisas corriqueiras e as proporções que tomam. Facilmente percebidas e dificilmente desveladas. Não recomendo subestimar a capacidade do homem de ser complexo, de ser avesso, de se atropelar pelas escolhas da vida, de se modular conforme sua dor e desapontamento, naquilo que não dá conta, a sua própria existência. Não se trata de uma configuração pejorativa de reflexão. Mesmo porque, como posso entender o súbito desespero de não aceitar a realidade difícil na qual estamos inseridos? Não há como contestar, ainda com as tentativas de colocar a deriva do acaso os acontecimentos indesejáveis, ninguém (desse mundo) sabe viver, em todas as circunstâncias. Se alguém souber, desafio as evidências. Para não finalizar com tom pessimista, conformo-me com a angústia da crítica colocada. O que me dá contento é não estar no engano, não iludir-me com receitas prontas de felicidade e de condutas corretas, compartilhando com a ideia de uma massa de gente mascarada pelo vazio que invade a todos, não há como escapar. Prefiro os resquícios de direção que as minhas dificuldades me assinalam e não encarar a vida como um todo pronto e acabado. Assim talvez entendamos os altos e baixos, nossas virtudes e limites, e respeitemos mais o ser humano tal como é, incompleto.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O que inspira-ação?

Há alguns dias atrás, imbuída pela leitura de Clarice Lispector, meus pensamentos articulavam o que poderiam vir a ser, bons textos. Tomada por inspiração, senti-me realizada momentaneamente por compor tais títulos e dizeres, que a mim muito faziam sentido. Contentei-me. Diante da diversidade e da produtividade de idéias que me ocorriam, continuei acomodada, convenci-me de que haveria um bom momento posterior para colocá-los em formatos legíveis, por mim e por outros. Descobri então que a inspiração nem sempre inspíra-ação, como eu supunha. Hoje diante da minha vontade de concretizar em escrita minhas reminescências, surpreendi-me com o apagão das palavras. Não consegui pensar em mais nada. Ademais, o que fazer? Importou-me o que essa experiência proporcionou e aqui quis relatar. Não dispensaria o brilhantismo dos que conseguem produções mentais, para ser mais clara no que quero dizer, idéias, sugestões, inovações, músicas, romances, poesias, poemas, discussões teóricas, invenções científicas, problemas de pesquisa, e por ai vai. A capacidade humana para isso é formidável, mas ser humano esperto é aquele que anda a rascunhar, que tem como amigo qualquer papel e caneta ao lado que permita o registro de seu brilhantismo. Isso sim permite ação, atitude concreta. Começo a questionar se não seriam os amigos da caneta e do papel, os providos de inspiração, ao menos com mais frequencia.
Cheguei a conclusão de que, geniais, foram os que aprenderam essa lição.

sábado, 9 de julho de 2011

Quando assim - Música de Núria Mallena

Quando Assim Núria Mallena
(Trilha sonora do romance de Rei Augusto e Maria Cesária - Cordel Encantado)

Quando eu era espera
Nada era, nem chovia
Nem fazia
Só sentir que a calma
Não acalma
Quando só há solidão

Quando eu era estrela, era inteira
Na mentira que eu dizia
Ser o que não era convencia
Dentro da minha ilusão

Quando eu fui nada
Faltou nada, tudo pronto pra escrever...

Eu não sabia buscar
Foi quando apareceu
O que eu quis inventar
Pra preencher o meu
Mundo particular

No peito que era seu
No seu mundo não há
Mais nada que não eu
Já sei dizer que o amor
Pode acordar

Eu não sabia buscar
Foi quando apareceu
O que eu quis inventar
Pra preencher o meu
Mundo particular

No peito que era seu
No seu mundo não há
Mais nada que não eu
Já sei dizer que o amor
Pode acordar...


domingo, 3 de julho de 2011

Apreciar o lar

Em certos momentos da vida, o que buscamos é sair. 
É correr, passar, conhecer, experimentar, é tocar nas coisas da vida.  
Vai bem assim, necessariamente devemos sentir esse pulsar adolescente, talvez um medo da solidão. 
De repente, começamos uma nova busca, a de chegar. 
Depois de um dia de trabalho, o sofá da nossa casa é tudo o que desejamos. 
O abraço da mãe amorosa, a tosse do pai depois de um trago no cigarro, o irmão que ainda te chama de moleque. 
E tudo o que antes era tédio, agora é aconchego. 
Abandonar o medo de ficar sozinha ainda consome, mas ao menos é percebido. 
Por ora traz desespero, angústia, incertezas e tristeza, das mais intensas que já conheci. 
Não sei bem, talvez o que almejo é alguém para me acompanhar, para construir um lar. 
E hoje o que quero não é correr é sentar; não é passar é parar; não conhecer mas me envolver, não mais experimentar e sim admirar e tão pouco tocar as coisas da vida. O que eu quero senti-las!!!
Por tudo isso, desejo mesmo apreciar o lar.